atrito sem contacto
vejo a tua pele diante da nossa distância,
o teu corpo ao alcance de uma decisão, e
percebo, são os teus lábios a fonte oculta
no cume opaco de nuvens, é a curva das
costas um desfiladeiro sem percurso ou
mapa encorajador, e no tecido das tuas
palavras um enigma que o desejo deseja
obliterar, mercenários a soldo do silêncio,
vamos plantando pegadas como sementes
em solo desconhecido, alheios ao tempo
das colheitas e aos desígnios dos corpos.
