Segunda-feira, Novembro 19, 2007

ardes-me

a chuva lá fora não arrefece a lareira que cuidamos, com o zelo dos amantes. as gotas de chuva nos vidros da janela tornam, certamente, difusa a imagem dos nossos corpos enleados. nem os pássaros nos conseguem espreitar, tão longe estamos do quotidiano. louvamos a pele nos intervalos dos beijos. e mergulhamos no olhar, banhando a alma de sal e prata. fabricamos a lua, sacudindos sóis e areia dos cabelos. voltamos à lava dos lábios e adormecemos dentro do fogo.