desde o nosso leito
foi depois da viagem à orla da pele que veio o sal contaminar as artérias de cio e urgência. agora os caminhos são um labirinto em chamas, uma fogueira congestionando a habilidade do olhar. os dedos emigraram desde a sede até às tuas entranhas, desde o dentro de ti até ao redor de nós. o que compõe o futuro existe nos rios subterrâneos, nas primeiras gotas de chuva, na tua saliva, no meu sémen, nas marcas das unhas, no pó que ainda não levantámos, nos caminhos ainda desconhecidos. o futuro é tudo o que fica a seguir à janela que inventarmos. sabemos que sorrir afasta as rugas da razão e convoca dos beijos a alegria tola, inconsequente e essencial. comemos luz no banquete da carne.
