o céu é uma pedra que caiu, turvando os sentidos
a pele pensa com a exactidão dos peixes. nadando em círculos, suspensa na maré ou descansando em corrente quente, alimenta-se como que respirando. o ar é esse líquido salgado, esse leito fluido, esse pulmão aquoso. por entre anémonas ou dedos, passeia o corpo a sua flutuação, a boca medindo a temperatura, os membros conduzindo a indagação. o líquen do desejo inflama as guelras, adiando o descanso das barbatanas. cardumes de prata agitam a luz, para que a pele se transforme em velocidade e plasma. o fôlego dos vulcões abre túneis e espirais onde viajar a caminho da vertigem. o sal florindo acentua o ardor, antes que os tentáculos dos bichos repousem de novo, a seguir ao nervosismo do cio.



